Adquirir formas femininas é o ideal da maioria das travestis. A necessidade de alterar seu próprio corpo é tão intensa que muitas recorrem à injeção de silicone industrial, o que pode colocar suas vidas em risco. O procedimento, na maior parte dos casos, é feito por “bombadeiras”, de forma clandestina e sem as condições ideais de biossegurança.

É importante acompanhar a saúde da paciente com silicone. Ecografias, mamografias, exames dermatológicos, radiografias, entre outros, podem identificar problemas e reações alérgicas, em tempo hábil para reduzir danos à saúde.

Assim como o silicone, os hormônios também são utilizados para tornar a aparência física mais feminina. Sua utilização, geralmente, começa na adolescência e raramente é realizada com assistência médica.

As travestis reivindicam o direito de acompanhamento médico para uma terapia hormonal, principalmente sob orientação de um endocrinologista.

A comunidade médica ainda reluta em supervisionar o tratamento hormonal em travestis. Apesar disso, o assunto deve ser discutido entre a equipe da unidade de saúde, pois é importante entender essa demanda como uma questão de saúde, devendo ser encarada sem preconceitos.



O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, CREMESP, através da Resolução 208 de 27 de outubro de 2009 normatizou o atendimento às travestis e transexuais. Este documento objetiva a garantia da atenção humanizada a esta população incluindo a possibilidade do acompanhamento clínico e laboratorial para a realização da terapia hormonal.

O Ambulatório de Saúde Integral para travestis e transexuais do CRT DST/Aids-SP já realiza este acompanhamento de maneira sistemática.

Para atender a demanda existente no Estado, faz-se necessário que outros serviços, em diversas regiões, se disponham a realizar atendimento semelhante e um maior número de endocrinologistas seja treinado em relação às especificidades desta população.


O Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP, foi criado em 2010. O serviço, pioneiro no Brasil, tem por objetivo atender as travestis e transexuais de forma integral, do ponto de vista biopsicossocial. Os principais procedimentos oferecidos pelo ambulatório são: acolhimento; avaliação médica, endocrinológica, proctológica, fonoaudiológica e de Saúde Mental.

O Ambulatório está localizado na Rua Santa Cruz, 81, Vila Mariana, São Paulo - SP. Funciona de segunda à sexta-feira, das 14h às 20h para casos novos e até 21h para retornos e atendimento psicoterápico.



Quando o atendimento à travesti disser respeito às doenças sexualmente transmissíveis (DST), é importante:
• Avaliar, junto com ela, as situações que possam significar uma maior vulnerabilidade para o HIV, hepatites virais e outras DST como: prática sexual sem preservativo; compartilhamento de agulhas e seringas (seja para o uso
de drogas injetáveis, seja no processo de aplicação de silicone e hormônios).
• Ressaltar a importância do preservativo como principal instrumento na prevenção das DST. Caso identificadas situações de risco, estimular a realização do teste anti-HIV, de sífilis e das hepatites B e C, discutindo as implicações do resultado em cada caso.
Esses testes devem ser feitos sempre respeitando-se o sigilo e a confidencialidade, acompanhados de sessões de aconselhamento.
• Lembrar àquelas que estão em tratamento antirretroviral, que estes medicamentos não previnem novas infecções.
• Encaminhar a travesti para um serviço da rede de profilaxia pós exposição, caso haja exposição sexual ou sanguínea com risco importante para adquirir o HIV. O rápido acesso aos serviços de saúde é fundamental para a eficácia da profilaxia pós exposição. Confira os serviços credenciados neste procedimento no www3.crt.saude.sp.gov.br/profilaxia

Lembre-se: esses procedimentos são adequados para qualquer paciente, independentemente de idade, cor, aparência física, identidade de gênero ou orientação sexual.



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